Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

[POESIA] Corpo de fulgor


Corpo. Pedaço de carne ou pedaço de vida?
Concreto ou abstrato?

Identidade. Realidade. Dignidade.
Cada gesto um falar, um transbordar, um realizar.
Pedaço de tudo e pedaço do vento, relento.

Corpo reprimido. Corpo exaltado. Corpo mutilado.
Corpo seu. Domínio seu. Padrões com limitações te levam a imperfeições. Enfermidades, calamidades, fraquezas, corpo forte.
Destorce. Contorce. Suporte.

Corpo elixir. Corpo exilar, navegar, naufragar, libertar.
Corpo intenso, corpo raso, corpo mal-acabado.
Corpo azedo, corpo doce, corpo abraçado,
corpo beijado, corpo desejado, corpo fuzilado, corpo.

Oh corpo violão, oh corpo palito, oh corpo visão.
Corpo de prazer que carregar amor.
Corpo de paz que carrega rancor.
Corpo de gota que carrega chuva.
Corpo que aquece com gelo e corpo que gela com fogo.
É o corpo que fala sem palavras.
Corpo flambado.

Laíza Mirella de Souza Nery – 2018.

[POESIA] Feixe de Luz




Presa no quarto, um feixe de luz toma o local. Os olhos se espantam, como se eles estivessem abrindo pela primeira vez. A luz invade esse quarto, antes escuro, visto como único e verdadeiro mundo. Da janela pode-se ver uma paisagem. Os olhos apreciam como se nunca tivessem visto algo parecido.

Caverna da qual escondei deles tudo o que tinha ao seu redor. Um mundo de possibilidades e conhecimentos, mundo que passava por fora daquelas portas, janelas e paredes.

Estava presa! Será que um dia vou conhecer o que tem além do que vejo? Ver a realidade?

Talvez quando minha alma libertar-se desse meu corpo. Corpo que destorce tudo que penso conhecer pelos sentidos.

Mesmo corpo que me afasta de Deus. Corpo culpa, cheio de vontades e desejos (desejos e vontades?( Fala baixo isso é errado, manifesto do diabo). O prazer, o sexo que o envolvem(Sexo? Prazer? Psiu... fala baixo isso é errado alquimia do diabo). desejos reprimidos. Vontades suspensas. Prazeres abafados.

O corpo deve ser levado às ruinas, aos seus limites para que a alma fosse elevada.

Corpo, meu corpo... Coitado, se é diferente é queimado, condenado.

Educação pela religião aprendeu a se reprimir, a sofrer, a temer, a calar-se a não questionar, aceitar tudo. Tudo é porque é.

Corpo esquecido debilitado, adoentado, marginalizado, sujo. Por que desse mal cuidado? Vou calar, não posso duvidar. Preciso aceitar, é vontade de Deus ou castigo de pecados.

Veio a modernidade e duvidou, duvidou mais ainda. Resolveu cuidar de meu corpo. Meu corpo finalmente será visto. Ele foi lembrado, Divido, aberto, dissecado, costurado. De uma ponta a outra foi revisado.

Ele foi visto! É lelé foi visto... Visto como objeto, apenas algo a ser estudado, parte matéria.

A razão como explicação. Penso logo existo assim diziam.

Emoção? Sentimentos? Para de bobagem! Engole o choro! Use a razão!

Mais uma vez meus sentimentos foram pisados, destruídos, aniquilados, guardados.

Use a razão, razão, apenas a razão.

Você não pode ir além disso!

Meu corpo foi dito como extensão da minha alma, acreditei.

Meu corpo foi considerado profano, acreditei.

Meu corpo foi visto como máquina, matéria e apenas matéria. O que mais valia era a mente, acreditei.

Moldei-me me prendi de acordo com o que ouvia. Confiei em uma voz que ecoava em mim o “eu não posso, eu não consigo”.

Essas cordas me impediram de tentar dançar, de tentar andar, de tentar...

Eu só precisava acreditar, compreender que não tenho um corpo e sim que sou um corpo. E ele é importante, pois é nele que me faço existente.

Ao pensar assim essas cordas já não tem tanto pode sobre mim. Comecei a andar e tentar me libertar de tudo que me sufocava e me calava.

Eu posso, sinto que sim. Em vez de apenas olhar um caminho resolve por o pé nele. E se eu errar? Que bom que posso errar, assim descobrirei mais uma forma de como não fazer. Dessa vez o medo não vai me impedir.

Cordas que antes tinham um poder total sobre mim, agora estão nas minhas mãos sem amarras ou nós. Não permito mais seus nós em mim. Quero soltá-las. Acabou!

Descobri, entendi.

Faço parte do mundo, corpo-no-mundo-. Sinto-me corpo, corpo-vivido.

Largar tudo isso me possibilitou ver o que jamais viria se eu tivesse aceitado continuar presa à paradigmas, a não me permitir.

Esse corpo que faz arte, que também faz parte dos encantos do mundo.

Refletir assim me permitiu ir além das paisagens de janelas, em vez de apenas vê-las, vive-las.

Ivina Maria de Sousa Paes, 2016

[POESIA] Desnomeado

Hoje me apresento como o corpo.
Corpo que fala o que pensa? Ou pensa o que fala?
Ainda não sei, então vamos viajar em um percurso filosófico
E quem sabe eu descubra que sou e o que eu posso.

Antes e tudo fiz parte e uma forma integrada,
Onde corpo e pensamento faziam parte de um só domínio,
Mas vejam só por onde andei...

Sócrates com suas ideias contraditórias,
Disse: “O homem é sua alma”, mas e eu onde fico? O que sou?
A alma me responde: É meu instrumento,
E com você eu não consigo chegar a verdade,
Pois é material e eu sou imaterial,
Ordeno o homem a conhecer a si mesmo,
Sou a consciência, a personalidade intelectual e moral.
E só com a sua morte eu irei além esse mundo que não é o real.

Platão com seu mundo das ideias
Fala:” A alma preexiste ao corpo, é imortal”.
Vejo que mais uma vez no esquecimento,
Sou material, sou movido por ela que diz:
O que percebo é pela razão, já você é pelos sentidos,
Por isso o que sei é real e o que sabes é mentira.
A felicidade só é alcançada se te dominarmos,
Você não é capaz e resistir a impulso, prazer e paixão.
Logo, merece minha aversão.

Será que ninguém me dar importância,
Já me vejo perder a esperança.

Aristóteles, talvez esse tenha consideração.
Ele diz: “O homem é uma unidade substancial de alma e de corpo”.
Vejam só! Agora posso falar pra ela:
Alma você também é minha forma,
Embora seja seu “o pensar”
É meu ato organizado e nada faz sem me perguntar,
Quando penso que estou ganhado significado
Vem a igreja e toma meu espaço.

Santo Agostinho com seu platonismo cristão,
Diz: “O corpo não é essencialmente mau, pois foi criado por Deus,
que fez boas todas as coisas”.
Então sou algo bom como a alma?
Ela uma vez me diz: Não, eu sou imortal,
Inteligência divina em intelecto intuitivo e razão discursiva.

Mas uma vez fui profano, mas, não posso perder as esperanças.
Tantos outros ainda virão, talvez consiga uma concepção.

São Tomas de Aquino, com influência Aristotélica,
Afirma: “Há no ser humano uma alma única
e profundamente ligada ao corpo”.
Será que agora faço parte o conhecimento?
Sou o lado sensível e a alma intelectivo,
Eu capto pelos sentidos e ela pela razão
Que emoção! Ganhei importância nessa concepção.

O tempo continua a passar
e eu não aguento mais esperar
Preciso me descobrir e saber por que ainda estou aqui.
Deixei de se marionete divina
e começo a ser analisado pelo viés cientifico.

René Descartes, mais um filosofo
Que afirma: “ A essência da natureza consiste apenas no ato de pensar”.
Logo, continuo a me procurar e ela a clamar.
Não ocupo lugar no espaço,
Não posso ser fragmentada,
Opero independente e você,
Mas o contrário não é possível.
Você depende de mim,
Por isso sou a própria razão
E você frágil emoção.

Spinoza com seu paralelismo psicofísico
Apresenta-me de forma distinta.
Diz: “Na natureza não há diferença entre corpo e alma,
Os dois constituem um único ser”.
Como entender?
Ela que sempre se fez completa
Hoje não existe sem mim,
Se sofro, ela também sofre.
É meu espirito, minha ideia.
Transbordo em emoção,
Afinal chego perto de uma concepção:
Não sou só expressão.

Um último filosofo é apresentado.
Marleau-Ponty diz: “É o corpo que nos possibilita
Perceber o mundo e tudo que há nele”.
Estranho ser elevado mais uma vez,
Eu que sempre estive a mercê a alma,
Somos mais uma vez dependentes,
Um único corpo, uma única alma
Que juntos formam um ser... que pensa... que sente... que é.

Tantas explicações e muitas ainda virão,
Mas entendi que só eu sei a minha real concepção...
Sou o que sou!
Tudo que me forma, tudo que expresso
Sou emoção e também sou razão,
Sou o sentido e a falta dele
Sou no espaço e no tempo

Sou o que estar aqui por inteiro...

Lidyanne Viana Nogueira, 2014

[POESIA] Feixe de Luz



Presa no quarto, um feixe de luz toma o local. Os olhos se espantam, como se eles estivessem abrindo pela primeira vez. A luz invade esse quarto, antes escuro, visto como único e verdadeiro mundo. Da janela pode-se ver uma paisagem. Os olhos apreciam como se nunca tivessem visto algo parecido.

Caverna da qual escondei deles tudo o que tinha ao seu redor. Um mundo de possibilidades e conhecimentos, mundo que passava por fora daquelas portas, janelas e paredes.

Estava presa! Será que um dia vou conhecer o que tem além do que vejo? Ver a realidade?
Talvez quando minha alma libertar-se desse meu corpo. Corpo que destorce tudo que penso conhecer pelos sentidos.

Mesmo corpo que me afasta de Deus. Corpo culpa, cheio de vontades e desejos (desejos e vontades?( Fala baixo isso é errado, manifesto do diabo). O prazer, o sexo que o envolvem(Sexo? Prazer? Psiu... fala baixo isso é errado alquimia do diabo). desejos reprimidos. Vontades suspensas. Prazeres abafados.

O corpo deve ser levado às ruinas, aos seus limites para que a alma fosse elevada.


Corpo, meu corpo... Coitado, se é diferente é queimado, condenado.

Educação pela religião aprendeu a se reprimir, a sofrer, a temer, a calar-se a não questionar, aceitar tudo. Tudo é porque é.

Corpo esquecido debilitado, adoentado, marginalizado, sujo. Por que desse mal cuidado? Vou calar, não posso duvidar. Preciso aceitar, é vontade de Deus ou castigo de pecados.

Veio a modernidade e duvidou, duvidou mais ainda. Resolveu cuidar de meu corpo. Meu corpo finalmente será visto. Ele foi lembrado, Divido, aberto, dissecado, costurado. De uma ponta a outra foi revisado.

Ele foi visto! É lelé foi visto... Visto como objeto, apenas algo a ser estudado, parte matéria.

A razão como explicação. Penso logo existo assim diziam.

Emoção? Sentimentos? Para de bobagem! Engole o choro! Use a razão!

Mais uma vez meus sentimentos foram pisados, destruídos, aniquilados, guardados.

Use a razão, razão, apenas a razão.

Você não pode ir além disso!

Meu corpo foi dito como extensão da minha alma, acreditei.

Meu corpo foi considerado profano, acreditei.

Meu corpo foi visto como máquina, matéria e apenas matéria. O que mais valia era a mente, acreditei.

Moldei-me me prendi de acordo com o que ouvia. Confiei em uma voz que ecoava em mim o “eu não posso, eu não consigo”.

Essas cordas me impediram de tentar dançar, de tentar andar, de tentar...

Eu só precisava acreditar, compreender que não tenho um corpo e sim que sou um corpo. E ele é importante, pois é nele que me faço existente.

Ao pensar assim essas cordas já não tem tanto pode sobre mim. Comecei a andar e tentar me libertar de tudo que me sufocava e me calava.

Eu posso, sinto que sim. Em vez de apenas olhar um caminho resolve por o pé nele. E se eu errar? Que bom que posso errar, assim descobrirei mais uma forma de como não fazer. Dessa vez o medo não vai me impedir.

Cordas que antes tinham um poder total sobre mim, agora estão nas minhas mãos sem amarras ou nós. Não permito mais seus nós em mim. Quero soltá-las. Acabou!

Descobri, entendi.

Faço parte do mundo, corpo-no-mundo-. Sinto-me corpo, corpo-vivido.

Largar tudo isso me possibilitou ver o que jamais viria se eu tivesse aceitado continuar presa à paradigmas, a não me permitir.

Esse corpo que faz arte, que também faz parte dos encantos do mundo.

Refletir assim me permitiu ir além das paisagens de janelas, em vez de apenas vê-las, vive-las.

Ivina Maria de Sousa Paes, 2016

[POESIA] Evoluir


Evoluir por si, não pelo mundo
Evoluir para si e não para os outros
Evoluir por achar necessário, não por sentir-se obrigado
Não evoluir por evoluir, mas, evoluir para evoluir
Evoluir, somente, se precisar evoluir.


Brenda Laresca, 2016